domingo, 22 de novembro de 2009

XÔ, URUBUZADA !!!

Fala sério: meu time está ou não com sorte de campeão?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

RONALDO

Vocês lembram que o Gordo fez uma promessa para Nossa Senhora Aparecida de que se se recuperasse da cirurgia que fez no joelho e tivesse um bom desempenho na Copa de 2002 pagaria a promessa voltando para a Basílica? Pois é. O sujeito arrebentou. Artilheiro, gol na final contra a Alemanha, coisa e tal. Ele teria então que pagar a promessa, mas a data precisa ninguém sabia. Trabalhava em São José dos Campos e fui escalado para esperar o Gordo.

Havia um certo stress na história toda. Antes da Copa, o Gordo foi para Aparecida e a TV perdeu a imagem. A rede em São Paulo cobrou e a história não poderia se repetir agora, na volta. A determinação era a seguinte: chegaria às 9h na Basílica e só sairia de lá às 18h. De segunda a sexta-feira foi assim.

Enquanto esperava, aproveitei para conhecer o lugar. Apesar de católico, minhas lembranças da Basílica eram nulas pois fui criança para lá a primeira e única vez. A Sala dos Milagres é conhecida por muitos. É onde artistas, jogadores de futebol e anônimos deixaram algum objeto próprio em sinal de agradecimento à graça conquistada. Lembro do par de muletas deixado por um aleijado que - dizem - agora é um ex-aleijado. Há de tudo à disposição dos curiosos. Mas há muito também que está guardado em um lugar mais reservado e que o privilégio da profissão abriu portas para que pudesse conferir de perto. Numa sala no alto de uma das torres está o que chamam de 'museu'. Dos objetos guardados, os mais importantes encontram-se numa estante envidraçada. Recortes de jornais ingleses e italianos reportando o fim da 2ª Guerra Mundial e trazidos por combatentes brasileiros. Devotos, deram também à Santa moedas estrangeiras, balas de fuzil, medalhas, uniformes, capacetes. Um belo acervo, sem dúvida.

Mas o tempo passava e nada do Gordo aparecer. No sábado, o chefe decidiu que me tiraria do plantão em Aparecida. Um outro repórter sairia bem cedo na segunda e ficaria no meu lugar. Para falar a verdade, um dia é o suficiente para conhecer a Basílica e a cidade de Aparecida não gostei não. Já na segunda, quando entrei na redação, todos olharam para mim. Na TV, o César Menezes estava ao vivo relatando a volta do Gordo ainda de manhã. Foi de helicóptero e o link entrou no Jornal Hoje. Ainda teve um VT para o Jornal Nacional. "Se soubesse que precisaria tirar você de lá para ele chegar, teria mandado você de volta antes", brincou o chefe. "Como você é sortudo, hein?", debochavam os colegas.

Aquele dia xinguei o Gordo pela primeira vez. Mas pude ter a vingança alguns anos depois. Fora de forma e sem contrato voltou para o Brasil para encerrar a carreira num time de segunda divisão qualquer.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

E O JORGE JR. ÓÓÓÓÓÓ

video

Cena do programa Tribuna do Futebol desta quinta-feira. Um dia após o Parmerinha dar adeus ao título do Brasileirão ...

REQUIÃO X REPÓRTERES

Juro que tento, mas não consigo entender o fascínio que jornalistas do eixo Rio-São Paulo tem por Requião. Seja pelo governante ou pela pessoa. Bem diferente daqui, onde jornalistas do Estado inteiro tem histórias para contar sobre ele e contra ele. Requião não é um político que mira apenas o veículo o qual o jornalista representa. Ele ofende, agride e pede a cabeça de quem ousa o incomodar.

O ainda candidato a governador tinha uma frase ironicamente maravilhosa que soltava aos jornalistas quando vinha para Londrina em campanha. "Eleito governador, irei privatizar a imprensa do Paraná". Estávamos todos sob o efeito Jaime Lerner, o governador mais marketeiro e bajulador dos donos da mídia que esse Estado já viu. Requião e seu jeito franco de ser, conquistava assim a simpatia de muitos. Deixara claro a disposição de não compactuar com a política do jabá. Dos afagos e omissão em troca de verbas publicitárias. Com o tempo, essa forma de pensar e agir custou exageros, dos dois lados. Os donos da mídia vendo problemas por todos os cantos e Requião se dizendo vítima de uma campanha difamatória da imprensa.

Mas o governador é um sujeito difícil. Amedronta pelo jeito imprevisível de agir e intimida ao usar o prestígio do cargo. E as entrevistas coletivas são o exemplo disso tudo. Quando Requião veio para Londrina para uma das inúmeras inaugurações do Jardim Botânico foi perguntado por uma colega de rádio sobre a aberração do projeto de lei enviado à Assembléia que burlaria as recomendações da Justiça contra o nepotismo. Requião queria e conseguiu manter legalmente a mulher, irmãos e outros parentes no Palácio Iguaçu. "Governador, os críticos dizem que sua proposta é demagógica ..." e o governador calado. Na segunda vez, ele reagiu: "A senhora é casada?". "O quê?", disse ela perdida. "Então vá procurar um marido", afirmou para risada geral dos aspones. A repórter, constrangidíssima, ainda protestou. Mas fazer o quê?

Em Centenário do Sul foi ainda pior. Era lançamento de um programa estadual e a imprensa de Londrina foi em peso para o lugar. Requião acabara de virar notícia nacional por criticar a política econômica do então ministro de Fazenda Antônio Palocci. Na coletiva, um colega perguntou se o discurso significaria algum sinal de rompimento com o governo Lula o qual Requião apoiava. O governador não respondeu, a coletiva foi encerrada. O mesmo repórter foi para um canto da sala e Requião foi atrás. Com um gravador em punho, o repórter preparou a pergunta, mas não deu tempo. O governador o pegou pelo dedo, torcendo e exigindo o gravador. "Você não vai me jogar contra o meu amigo Lula".

Comigo não houve agressão física. Não por isso menos grave. Queria saber sobre a proposta de revisão de salários do professores da UEL se isso provocaria a redução de alguns benefícios. No aeroporto ele se calou. Mas no Calçadão, para onde foi em seguida, ele gritou quando me viu. "Onde já se viu um governador reduzir salário de trabalhador. Você tá pensando que eu sou moleque. Moleque é você que tem que trabalhar na feira livre". Estava com os olhos esbugalhados. O braço direito levantado com o dedo indicador apontando para mim. Parecia ódio.
Um colega PM, que fazia a guarda pessoal do governador, me disse que ele ligou na hora para o dono da TV. O número, tinha gravado na memória, não do celular, mas de cabeça mesmo. E eu fiquei desempregado mais uma vez.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

JUIZÃO

O prefeito decidiu comprar uma briga. Uma briga enorme. Quebrar o monopólio da empresa de transporte coletivo que prestava serviço na cidade abrindo uma licitação para o setor. O caso foi parar na justiça. E abriu portas para um excelentíssimo juíz amissíssimo do xará ainda dono da empresa.

Se entrevistar um magistrado hoje é difícil, imagine na época. Mas aquele juíz estava adorando se ver na TV e nas fotos dos jornais. Sujeito vaidoso, ia para o espelho antes de falar com repórter de TV. Sua preocupação mais expressa era o grosso bigode. Precisava estar alinhado e para isso, contava com o auxílio de um pente pequeno que carregava o bolso. Ele também tinha um truque para estar sempre com o paletó do terno impecável. Na primeira gaveta da mesa tinha uma escovinha que passava na altura do peito e dos ombros para tirar o pó e outras impurezas que pudessem macular a imagem. Se achava que tinha necessidade, o nó da gravata fazia novamente. E mais uma vez se ainda não estivesse perfeito. "Está bom, agora?". Só os cabelos escapavam de tanto zelo. Como já era calvo, os cuidados se limitavam aos poucos fios atrás e na lateral da cabeça.

Nas inúmeras decisões que tomou em favor da empresa de ônibus, uma deixou sem condução moradores da zona Sul e Rural de Londrina que passaram a ser servidos por outra empresa. 'Fantasma' no despacho do juíz. E lá foi a plebe reclamar da situação para ele. De nada adiantou a mãe com filho no colo explicar da caminhada que agora era obrigada a fazer para chegar à creche. Não valeu também a comerciária argumentar que os constantes atrasos na loja poderia custar o emprego. O juíz nada falou. As únicas palavras no encontro no gabinete foram dirigidas ao estagiário para que aumentasse a potência do ar-condicionado e, quem sabe, diminuísse o cheiro de povo no lugar. Graças ao trabalho de um fotógrafo da Folha - que não lembro quem era - a imagem da reunião foi explicitada num excelente flagrante: no momento em que os sem-ônibus falavam, o juíz usava um tipo de espátula de abrir cartas para aparar as cutículas das unhas. O olhar era de desprezo por quem estava ali. As críticas a esse distanciamento imposto pelo magistrado serviu para um box escrito pela então repórter Carina Pacola.

À contra-gosto, o juíz ganhou ainda mais notoriedade. Não pelo motivo que gostaria. Mas as constantes coincidências envolvendo o próprio nome. Uma delas, o fato da grande maioria das ações propostas pelo município irem para as mãos dele. E nunca, jamais, dar um despacho contrário aos interesses da empresa de ônibus. No antigo estacionamento do Fórum, o carrão do magistrado era o mais desejado. As importações das marcas de luxo ainda eram um fenômeno recente, mas o excelentíssimo juíz já exibia uma BMW.

O juíz sumiu. Não sei dizer se tenha desistido de aparecer na mídia. Mas trata-se de um dos raríssimos casos da justiça local de afastamento da função, depois de uma auditoria interna. Mas, para todos os efeitos, ele está aposentado. Combinados assim?

terça-feira, 17 de novembro de 2009

NA LAMA

Em apenas alguns meses, cinco jornalistas diferentes passaram pela chefia de redação de Londrina. Em Curitiba, apenas um dava ordens. Na verdade, uma. Especialmente escolhida, vinda do Rio de Janeiro para cá. Foram os resultados mais visíveis da intervenção da rede nas afiliadas do Paraná.

Ainda hoje, os antigos membros do movimento Pés-Vermelhos, Mãos Limpas reivindicam para si esse resultado. Farta documentação sobre as investigações promovidas pelo Ministério Público contra a administração do prefeito que sumiu com R$ 189 milhões dos cofres públicos foi enviada pelos Correios para a sede carioca. Algumas fitas com o conteúdo de reportagens de outras emissoras e recortes de jornais com notícias daqui também foram para lá. A turma queria mostrar que algo estava errado na prefeitura da terceira maior cidade do Sul, e que a mais importante rede de TV do Estado ignorava, omitia e até manipulava a história.

Coincidência ou não, o fato é que desembarcou em Londrina um repórter vindo de São Paulo. Sua tarefa era preparar matérias para a rede. Não que não tivéssemos gente à altura para fazer o mesmo. Longe disso. Mas a impressão que dava e que todos nós - repórteres, editores, produtores - estávamos sob suspeita. Eu tive certeza disso no primeiro dia que servi de guia do repórter paulista. Fui escalado pela chefia daqui para acompanhá-lo e ajudá-lo no que fosse preciso. Até juntei minha papelada para instruí-lo. Não quis. No caminho da TV ao Fórum, não abriu a boca. E na entrada do gabinete do MP mandou que eu ficasse do lado de fora. Queria uma conversa a sós com o promotor. Teve. E eu não mais o acompanhei. Afinal, tudo tem limite.

Algum tempo depois, meu caminho voltou a cruzar com o desse repórter. Eu acabei ocupando o lugar dele numa outra TV em Santos. Na nova redação, fiquei sabendo que o repórter paulista tinha adorado Londrina. A cidade, para ficar bem entendido. Reclamou do ambiente que encontrou e das ordens que recebeu de não confiar em ninguém. Ninguém mesmo. Isso acabou provocando uma resistência natural ao pessoal daqui. Por duas vezes tentei falar com o repórter em São Paulo, o novo destino dele. Minha missão era tentar desfazer a impressão ruim e explicar que tinha profissionais em Londrina que não pensavam como o patrão de Curitiba.

"Não esquenta não. O Pé-de-porco é assim mesmo. Quando ele vier prá cá, vamos tomar umas todos juntos no Manolinho". Era o cinegra amigo dele empenhando a palavra para mim. Manolinho era o lugar da picanha mais suculenta e da cerveja mais gelada de São Vicente. Sugestivamente para a época, Pé-de-porco era o apelido do repórter que adorou Londrina.

sábado, 14 de novembro de 2009

VITÓRIA NOSSA


Viram como é que time grande ganha de time médio? E sem precisar da ajuda de juíz?
O São Paulo é líder. Pela quarta vez seguida em quatro anos chega atropelando. Tá perigando a nação tricolor comemorar o HEPTA.
Mas como é hábito de todo bom são-paulino, minha humildade impede comemorar títulos de forma antecipada. E é de bom tom aguardar os resultados das próximas três rodadas. E, principalmente, respeitar a dor dos outros.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

GREVE

É minha gente! Foi o tempo em que procurávamos os médicos só para aquelas entrevistinhas triviais, de dicas de saúde, cuidados nesta época do ano. Eles estão na mídia. Provocam o debate. Despertam opiniões.

No HU, uma turma decidiu ir à forra contra enfermeiros e auxiliares pelo Orkut, não faz muito tempo. Extrapolaram o preconceito na rede que escondiam no dia a dia. 'Macaca de 15 arrobas' foi um dos adjetivos usados contra uma colega de trabalho. Mais tarde, outra. Residentes do mesmo HU decidiram comemorar o fim das aulas soltando rojões e se embriagando nas salas de atendimento. Os mesmos foram identificados e punidos. Entraram para a história da Universidade como os que preferiram virar às costas para o reitor na entrega de diplomas ao invés de celebrar o evento.

No ano passado, um médico foi preso, flagrado pelo GAECO cobrando de uma paciente a cirurgia feita pelo SUS que deveria ser de graça para a mulher. Ainda hoje, o 'doutor' responde pelo crime de corrupção passiva na 2ª vara criminal.

Agora, greve. Duzentos médicos que se dizem insatisfeitos com o que é pago pelo SUS ao plantão à distância. Cobram um 'incentivo' de R$ 160. Nas empresas isso é conhecido como 'bônus'. No futebol é 'bicho' para jogadores.

Por ocasião da polêmica do Orkut, encontrei um colega meu, médico, que hoje não está mais no HU nem em Londrina. Falamos da cobertura que a imprensa em geral deu ao caso, mas em nenhum momento ele defendeu a atitude dos colegas. Molecagem foi o mínimo que disse. Nas críticas que fez aos jornalistas, lembrou que existiriam casos muito mais importantes a tratar no serviço médico público prestado na cidade. Não lembro dele ter mencionado os incentivos na época. Mas que essa omissão custou caro, custou.

A remuneração para os plantões à distância já existe e é paga pelo SUS. Se há necessidade de rever esses valores é uma luta que deve ser travada em Brasília. Ainda que o município tenha a gestão plena dos recusos do Ministério da Saúde, não creio que o pagamento do incentivo possa ser visto como mais ou tão prioritário como a melhoria do atendimento primário, nos Postos de Saúde.

Senhores médicos, por favor, façam por merecer sair da mídia.